O que é uma Exchange Descentralizada (DEX)?
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O que é uma Exchange Descentralizada (DEX)?

O que é uma Exchange Descentralizada (DEX)?

Iniciante
Publicado em Sep 28, 2020Atualizado em Feb 1, 2023
9m

TL;DR - Resumo

Você provavelmente conhece o procedimento de exchanges/corretoras de criptomoedas. Você se cadastra com seu e-mail, cria uma senha, verifica sua conta e começa a fazer trading de criptomoedas.

As exchanges descentralizadas são assim, mas sem o incômodo de cadastros. Na maioria dos casos, não há depósitos ou saques de criptomoedas. O trade acontece diretamente entre as carteiras de dois usuários, com intervenção mínima (se houver alguma) de terceiros.

As exchanges descentralizadas podem ser um pouco mais complicadas e nem sempre oferece os ativos que você deseja. Mas, à medida que a tecnologia e o interesse por elas crescem, elas se tornam componentes fundamentais no setor de criptomoedas.


Introdução

Desde os primeiros dias do Bitcoin, as exchanges desempenham um papel vital na correspondência entre compradores e vendedores de criptomoedas. Se não fosse por essas plataformas, atraindo uma base de usuários global, teríamos uma liquidez muito menor e nenhuma forma de chegar a um acordo sobre o preço correto dos ativos.

Tradicionalmente, órgãos centralizados dominam este setor. No entanto, com o rápido avanço de tecnologias disponíveis, surgiu um número crescente de ferramentas para trades descentralizados.

Neste artigo, faremos uma análise detalhada sobre as exchanges descentralizadas (DEXs), que são plataformas de trading onde intermediários não são necessários.


Definindo exchanges descentralizadas

Teoricamente, qualquer câmbio peer-to-peer poderia constituir um trade descentralizado (veja por exemplo, o artigo O que são Atomic Swaps?). Mas neste artigo, estamos interessados principalmente em uma plataforma que emula as funções de exchanges centralizadas. A principal diferença é que seu back-end existe em uma blockchain. Ninguém assume a custódia de seus fundos e você não precisa confiar em uma corretora centralizada.


Como funciona uma exchange centralizada

Em uma exchange centralizada, você deposita seu dinheiro – fiat (via transferência bancária ou cartão de crédito/débito) ou criptomoeda. Ao depositar criptomoedas, você abre mão do controle delas. Não do ponto de vista da usabilidade, já que você ainda pode negociá-las ou sacá-las, mas do ponto de vista técnico: você não pode gastá-las na blockchain.
Você não possui as chaves privadas dos fundos, o que significa que, ao sacar, você está pedindo à exchange para assinar uma transação em seu nome. Quando você está fazendo trades, as transações não ocorrem na cadeia (on-chain) – em vez disso, a corretora aloca os saldos aos usuários, em um banco de dados próprio.

O workflow (fluxo de trabalho) é incrivelmente simplificado porque as baixas velocidades das blockchains não impedem operações de trading e tudo ocorre no sistema de uma única organização. Assim, é mais fácil comprar e vender criptomoedas e você tem mais ferramentas disponíveis.

Tudo isso, vem com o sacrifício da sua independência: você deve confiar na exchange para manter seu dinheiro. Como resultado, você se expõe a alguns riscos de contraparte. E se a equipe fugir com seus BTC? E se um hacker invadir o sistema da corretora e roubar todos os fundos?

Para muitos usuários, esse é um nível de risco aceitável. Eles buscam apenas exchanges com boa reputação e com registros sólidos de controle e precaução que mitigam a possível violação de dados.


Como funciona uma exchange descentralizada

As DEXs são semelhantes às plataformas centralizadas em alguns aspectos, mas apresentam diferenças significativas. Primeiro, vale mencionar que existem alguns tipos diferentes de exchanges descentralizadas disponíveis aos usuários. O que elas têm em comum é que as ordens são executadas on-chain (com contratos inteligentes) e que, em nenhum momento, os usuários sacrificam a custódia de seus fundos.
Houve progresso com as DEXs do tipo cross-chain, mas as mais populares giram em torno de ativos em uma única blockchain (como a Ethereum ou a Binance Chain).


Livro de ordens On-chain

Em algumas exchanges descentralizadas, tudo é feito on-chain (em breve, falaremos sobre abordagens híbridas). Toda ordem (bem como toda alteração e todo cancelamento) é registrada na blockchain. Essa é sem dúvida a abordagem mais transparente, já que você não precisa confiar em terceiros para retransmitir suas ordens e não é possível ofuscar as atividades da blockchain. 
Infelizmente, é também a menos prática. Como você pede a cada node na rede que registre cada ordem permanentemente, você deve pagar uma taxa por isso. É necessário esperar até que um minerador adicione sua ordem à blockchain, ou seja, pode ser uma experiência um pouco complicada. 
Alguns consideram o front running uma falha presente neste modelo. O front running ocorre quando um "insider" (usuário com informação privilegiada) tem conhecimento de uma transação pendente e usa essa informação para fazer uma negociação antes que a transação pendente seja processada. O "front runner", portanto, se beneficia de informações desconhecidas do público. Geralmente, essa é uma prática ilegal. 

Obviamente, se tudo for publicado em um ledger (registro) global, não haverá oportunidade de front running da forma convencional. Dito isso, existe um tipo diferente de ataque: aquele em que o minerador vê a ordem antes de ser confirmada e garante que sua própria ordem seja adicionada à blockchain primeiro.

Exemplos de modelos com livro de ordem on-chain incluem as DEXs Stellar e Bitshares.



Livro de ordens Off-chain

As DEXs com livro de ordens off-chain ainda são descentralizadas em alguns aspectos, porém são mais centralizadas do que as mencionadas anteriormente. Em vez de cada ordem ser registrada na blockchain, eles são armazenadas em algum outro local. 

Onde? Depende. É possível que exista uma entidade centralizada totalmente responsável pelo livro de ordens. Se essa entidade for mal-intencionada, eles podem enganar os mercados até certo ponto (ou seja, antecipando ou falsificando ordens). No entanto, você ainda se beneficiaria do armazenamento sem custódia.

O protocolo 0x para ERC-20 e outros tokens implantados na blockchain Ethereum é um bom exemplo disso. Em vez de agir como uma única DEX, o protocolo fornece uma estrutura para os chamados “relayers” (retransmissores), para que gerenciem o livro de ordens fora da cadeia (off-chain). Aproveitando os contratos inteligentes 0x e algumas outras ferramentas, os hosts podem acessar uma pool de liquidez combinada e transmitir ordens entre os usuários. A transação só é executada na cadeia (on-chain) quando as partes forem correspondentes.

Em termos de usabilidade, essas abordagens são superiores às que dependem de livros de ordens on-chain. Elas não enfrentam as mesmas restrições em termos de velocidade, pois não usam tanto a blockchain. Ainda assim, as transações devem ser liquidadas nela, então o modelo de livro de ordens off-chain ainda é inferior, em termos de velocidade, às exchanges centralizadas.

Modelos que usam livro de ordens off-chain incluem a Binance DEX, IDEX e EtherDelta.


Automated Market Makers (AMM)

Cansado de ler o termo “livro de ordens”? Ótimo, pois o modelo Automated Market Maker (AMM) elimina completamente essa ideia. Ele não requer makers ou takers, apenas usuários, teoria dos jogos e um pouco de magia negra de fórmulas matemáticas. 
As especificidades dos AMMs dependem da implementação – geralmente, eles agrupam um monte de contratos inteligentes e oferecem incentivos para garantir a participação do usuário. Não entraremos em detalhes sobre essas implementações, mas consulte O que é Uniswap e como funciona? para ver um exemplo de como a DEX do Uniswap funciona.
As DEXs com base em AMMs disponíveis hoje, tendem a ser relativamente fáceis de usar. Elas oferecem integração com carteiras como a MetaMask ou Trust Wallet. Porém, como acontece com outros tipos de DEXs, uma transação on-chain é necessária para a liquidação de trades.

Projetos que trabalham nessa frente incluem a já mencionada Uniswap e a Kyber Network (que usa o protocolo Bancor). Ambas facilitam o trade de tokens ERC-20.


Próx e Contras das DEXs

Nas seções anteriores, falamos um pouco, de forma geral, sobre algumas das vantagens e desvantagens das DEXs. Vamos nos aprofundar um pouco mais.


Prós das DEXs

Não há KYC

A conformidade com KYC/AML (Know Your Customer e Anti-Money Laundering) é uma norma de muitas exchanges. Por motivos regulatórios, os usuários devem enviar, frequentemente, documentos de identidade e comprovação de endereço.

Para alguns, isso é um problema de privacidade, para outros, de acessibilidade. E se você não tiver documentos válidos em mãos? E se uma informação sua "vazar" de alguma forma? Como as DEXs são "permissionless" (não precisam de permissão), ninguém verifica sua identidade. Tudo que você precisa é de uma carteira de criptomoedas.

No entanto, existem alguns requisitos legais quando as DEXs são parcialmente administradas por uma autoridade central. Em alguns casos, se o livro de ordens for centralizado, o responsável deve apresentar conformidade legal.


Sem riscos associados à contraparte

O principal atrativo das exchanges de criptomoedas descentralizadas é que elas não retêm os fundos dos clientes. Sendo assim, nem mesmo violações catastróficas, como o ataque hacker da Mt. Gox em 2014, colocam os fundos dos usuários em risco nem expõe qualquer informação pessoal confidencial.


Tokens não listados

Tokens que não estão listados em exchanges centralizadas ainda podem ser negociados livremente em DEXs, desde que haja oferta e demanda.


Contras das DEXs

Usabilidade

Realisticamente, as DEXs não são tão intuitivas ao usuário quanto as exchanges tradicionais. As plataformas centralizadas oferecem trades em tempo real que não são afetadas pelos tempos de bloco. Para usuários menos experientes, não familiarizados com carteiras de criptomoedas sem custódia, as CEXs oferecem uma experiência mais amigável. Se você esquecer sua senha, pode simplesmente redefini-la. No entanto, se você perder sua seed phrase, seus fundos serão perdidos para sempre no ciberespaço.


Volumes de trading e liquidez

O volume de trading das CEXs ainda é superior ao das DEXs. Talvez o mais importante, é que as CEXs tendem a ter maior liquidez. A liquidez basicamente representa a facilidade de compra ou venda de ativos, a um preço razoável. Em um mercado de alta liquidez, as ofertas e demandas têm pouca diferença de preço, o que indica uma alta competição entre compradores e vendedores. Em um mercado ilíquido, você terá mais dificuldade em encontrar alguém que queira negociar determinado ativo por um preço razoável.

As DEXs ainda são, de certa forma, nichos. Então nem sempre há oferta ou demanda para os criptoativos que você quer negociar. Pode ser que você não encontre os pares de trading que deseja e caso encontre, talvez não estejam disponíveis a um preço justo. 


Taxas

As taxas nem sempre são mais altas nas DEXs, mas podem ser, principalmente quando a rede está congestionada ou se você estiver usando um livro de ordens on-chain.


Considerações finais

Surgiram muitas exchanges descentralizadas ao longo dos anos, cada uma repetindo tentativas anteriores de otimizar a experiência do usuário e construir melhores plataformas de trading. No final das contas, a ideia parece fortemente alinhada com o Ethos da autossoberania: da mesma forma que com as criptomoedas, os usuários não precisam confiar em terceiros. 

Com o crescimento do DeFi, as DEXs com base na Ethereum tiveram um aumento significativo no uso. Se o ímpeto continuar, provavelmente teremos um crescimento ainda maior da inovação tecnológica em todo o setor.