Black Monday e a Crise do Mercado de Ações
Tabela de Conteúdos
O que é Black Monday?
O que causa crises no mercado?
O que é um "circuit breaker"?
Como se preparar para as crises do mercado
Outros eventos de Black Mondays
Considerações finais
Black Monday e a Crise do Mercado de Ações
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Black Monday e a Crise do Mercado de Ações

Black Monday e a Crise do Mercado de Ações

Iniciante
Publicado em May 4, 2020Atualizado em Aug 21, 2022
7m

O que é Black Monday?

Black Monday (em português, segunda-feira negra) é o nome usado para descrever uma queda repentina (crash) do mercado de ações, que ocorreu em 19 de outubro de 1987. O Dow Jones Industrial Average (DJIA), índice que mede o desempenho do mercado de ações dos EUA, caiu mais de 22%. A queda foi precedida por duas outras grandes quedas na semana anterior.


Desempenho do índice Dow Jones Industrial Average próximo à Black Monday.

Desempenho do índice Dow Jones Industrial Average próximo à Black Monday.


A Black Monday é lembrada como o início de um declínio global do mercado de ações. Até o momento, é um dos dias mais infames da história dos mercados de ações.

O volume de trading total nas corretoras era tão alto que os computadores da época eram incapazes de lidar com a alta carga repentina. As ordens não foram atendidas por horas e grandes transferências de fundos sofreram atrasos.

Naturalmente, uma grande crise como essa afeta os mercados de futuros e opções. A crise também teve um impacto significativo nos mercados globais. A maioria dos principais índices do mundo caiu de 20% a 30% no final do mesmo mês.

O termo “Black Monday” normalmente se refere à crise em 1987. Mas o termo também é usado para se referir a outras crises do mercado.


O que causa crises no mercado?

Geralmente, a causa de crises no mercado de ações não pode ser atribuída a um único fator. Curiosamente, nenhuma notícia importante precedeu a Black Monday de 1987. No entanto, vários fatores combinados, criaram uma atmosfera de pânico e incerteza. Quais foram esses fatores?

O primeiro foi a introdução de sistemas de trading computadorizados. Hoje, a maioria das atividades de trading é facilitada por computadores, mas nem sempre foi o caso. Antes da década de 1980, os mercados de ações eram locais tipicamente barulhentos e lotados, onde os traders negociavam ativos diretamente no pregão da bolsa de valores.


Pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 1963, antes da introdução dos sistemas de trading computadorizados. Fonte: Library of Congress (Biblioteca do Congresso dos EUA). Imagem original modificada.

Pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 1963, antes da introdução dos sistemas de trading computadorizados. Fonte: Library of Congress (Biblioteca do Congresso dos EUA). Imagem original modificada.


Ao longo da década de 1980, no entanto, a atividade de trading começou a depender mais de softwares e computadores. A mudança para o trading computadorizado permitiu atividades consideravelmente mais rápidas, com sistemas capazes de colocar milhares de ordens em poucos segundos. Naturalmente, esses avanços também afetaram a velocidade de grandes movimentos de preços. Por outro lado, os bots de trading de hoje podem movimentar trilhões de dólares em alguns segundos após a notícia de um evento inesperado.

Outros fatores, como o déficit comercial nos Estados Unidos, tensões internacionais e outras circunstâncias geopolíticas também foram apontados como causas. Além disso, o crescente alcance da mídia certamente ampliou os efeitos e a gravidade do evento.

É importante notar que, embora todos esses fatores possam ter contribuído para a crise, as decisões foram, no entanto, tomadas por pessoas. A psicologia de mercado desempenha um papel importante nas vendas e, muitas vezes, são simplesmente o resultado do pânico em massa.


O que é um "circuit breaker"?

Após os eventos de Black Monday, vários mecanismos implementados pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC - US Securities and Exchange Commission) para evitar que situações semelhantes ocorressem novamente. Ou, se não for possível prevenir completamente, pelo menos tentar mitigar o impacto.

Um desses mecanismos é chamado de circuit breaker. É uma medida regulatória que interrompe o trading quando o preço atinge certos níveis percentuais em relação à abertura diária. O que mencionamos até aqui se refere principalmente aos Estados Unidos, mas o circuit breaker também foi implementado em muitos outros mercados.

Circuit breakers podem ser usados para a maioria dos índices como o Dow Jones ou o S&P 500, bem como títulos individuais. Vamos ver como eles funcionam.

Se o S&P 500 cair mais de 7% em um dia de trades, as atividades serão interrompidas por 15 minutos e reiniciada em seguida. Esse processo é um circuit breaker de nível 1. Se o mercado cair ainda mais e atingir 13% de diferença em relação à abertura diária, ele será interrompido novamente. Nesse caso, temos um circuit breaker de nível 2. Então, após um intervalo de 15 minutos, a atividade de trading é reiniciada. Se a queda chegar a 20% em relação à abertura do mercado, as negociações serão interrompidas pelo resto do dia. Este seria um circuit breaker de nível 3.


Vantagens e desvantagens dos "circuit breakers"

Embora os circuit breakers sejam eficazes na prevenção de quedas repentinas (flash crashes), existem controvérsias em relação a eles.

Alguns críticos argumentam que circuit breakers têm um efeito negativo nos mercados e, na verdade, agravam as crises. Como? Uma vez que esses níveis percentuais predeterminados são baseados no mercado aberto, eles são de conhecimento público. Sendo assim, eles podem afetar a criação de ordens e diminuir a liquidez do livro de ordens em determinados níveis de preços.

A diminuição da liquidez pode gerar mais volatilidade, pois pode não haver ordens suficientes para absorver um volume inesperado de ofertas. Os críticos argumentam que, sem a influência dos circuit breakers na liquidez, os mercados têm mais chance de atingir um equilíbrio natural.

Quando se trata de índices do mercado global como o S&P 500, circuit breakers são acionados somente em movimentos negativos. Mas eles também podem ser acionados para movimentos de alta de ativos ou títulos individuais.


Como se preparar para as crises do mercado

Devido à natureza dos mercados e à psicologia das massas, crises são inevitáveis. O que podemos fazer para nos preparar para uma crise do mercado? 

Considere a criação de um plano de investimento ou uma estratégia geral de trading. Quando o mercado colapsa, muitos investidores, em pânico, vendem seus ativos às pressas. É importante permanecer calmo, racional e evitar a tomada de decisões emocionais. É essencial criar um plano de investimento de longo prazo ou estratégia de trading. Assim, você evita a tomada de decisões por impulso.

Outro fator a se considerar é a definição de um stop-loss. Proteger-se em trades de curto prazo é uma necessidade absoluta para um trader de sucesso. No entanto, a prática é surpreendentemente menos comum quando se trata de investidores de longo prazo. Mesmo que seu stop-loss permita movimentos de preços maiores, ele pode salvá-lo de grandes perdas em caso de crise ou de uma queda devastadora no mercado.

Quanto às crises do mercado global, até hoje, todas foram temporárias. Embora os períodos de recessão econômica possam se estender por vários anos, os mercados tendem a se recuperar. Se você "diminuir o zoom" em relação ao período considerado, a economia global está em crescimento consistente há séculos, e essas correções são apenas retrocessos temporários.


Desempenho do Dow Jones Industrial Average entre 1915 e 2020.

Desempenho do Dow Jones Industrial Average entre 1915 e 2020.


Embora esta observação possa estar correta para os mercados globais vinculados ao crescimento econômico, ela não se aplica aos mercados de criptomoedas. O setor blockchain ainda é jovem e as criptomoedas são uma classe de ativos arriscada. Sendo assim, alguns criptoativos podem nunca se recuperar após uma grave crise no mercado.



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Outros eventos de Black Mondays

28 de outubro de 1929

Crise nos mercados de ações, precedendo a Grande Depressão na década de 1930. Considerando seus efeitos econômicos de longo prazo, a crise durante o outono de 1929 foi o "crash" mais destrutivo do mercado de ações até hoje.

29 de setembro de 2008

Após o estouro da bolha imobiliária dos EUA, os mercados de ações começaram a colapsar. O resultado foi a Grande Recessão durante o final dos anos 2000 e início dos anos 2010. Se quiser saber mais, confira o artigo A Crise Financeira de 2008.

9 de março de 2020

Foi o pior dia para o mercado de ações dos EUA desde a Grande Recessão, influenciado pela pandemia do coronavírus e pela guerra dos preços do petróleo. Na época, foi a maior queda em um único dia, desde 2008. Mas, como veremos no próximo parágrafo, esse recorde durou apenas uma semana.

16 de março de 2020

Os temores sobre os potenciais efeitos econômicos da pandemia do coronavírus continuaram aumentando. Como resultado, o mercado dos EUA experimentou uma queda ainda maior em um único dia. Ultrapassando o recorde da semana anterior. Este dia é considerado o pico do "choque inicial" do efeito do coronavírus nos mercados financeiros.


Considerações finais

Resumindo, a Black Monday foi uma grave crise do mercado em 1987. Conforme mencionado, o termo também pode ser usado para se referir a outras crises do mercado de ações, como as de 1929, 2008 e 2020.

Após os eventos de Black Monday, novas regulamentações foram implementadas para tentar mitigar os efeitos das quedas repentinas do mercado de ações. Dentre as medidas implementadas, uma das mais impactantes e controversas é o mecanismo circuit breaker, que interrompe as atividades de trading quando os níveis de queda atingem valores percentuais predefinidos.

O que fazer para se preparar para as inevitáveis crise do mercado? Pense nos cenários possíveis para criar um plano de investimento ou estratégia comercial adequada. Gerenciamento de riscos, diversificação de portfólio e psicologia de mercado são alguns tópicos que podem ajudá-lo a evitar grandes perdas durante crises e quedas do mercado.