Guia Sobre Análise Fundamental para Criptomoedas
Índice
Introdução
O que é a Análise Fundamental (FA)?
O problema da análise fundamental para criptomoedas
Métricas on-chain
Métricas de projeto
Métricas financeiras
Indicadores, métricas e ferramentas de análise fundamental (FA)
Combinando métricas e criando indicadores de Análise Fundamental (FA)
Principais métricas e indicadores da Análise Fundamental (FA)
Relação Entre o Valor da Rede e as Transações (NVT)
Relação Entre o Valor de Mercado e o Valor Realizado (MVRV)
Modelo stock-to-flow
Exemplos de Ferramentas de Análise Fundamental
Baserank
Crypto Fees
Glassnode Studio
Considerações finais
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Guia Sobre Análise Fundamental para Criptomoedas

Guia Sobre Análise Fundamental para Criptomoedas

Intermediário
Published Sep 21, 2020Updated Oct 14, 2021
19m

TL;DR

O uso da análise fundamental para criptomoedas envolve o estudo aprofundado sobre as informações de um ativo financeiro. Por exemplo, você pode avaliar os casos de uso, o número de usuários ou a equipe responsável pelo projeto.

Seu objetivo é identificar se o ativo está supervalorizado ou subvalorizado no mercado. Então, você pode usar seus conhecimentos para entrar em posições de trading baseadas em informações sólidas.


Introdução

O trading de ativos voláteis como as criptomoedas requer habilidade. Selecionar estratégias, entender o complexo mundo de trading e dominar as análises técnica e fundamental são práticas que demandam uma curva de aprendizagem.
Quando se trata de análise técnica, alguns conhecimentos podem ser herdados dos mercados financeiros tradicionais. Muitos traders de cripto usam os mesmos indicadores técnicos presentes no trading de Forex, ações e commodities. Ferramentas como o RSI, MACD e Bollinger Bands procuram prever o comportamento do mercado, independentemente do ativo que está sendo negociado. Sendo assim, essas ferramentas de análise técnica também são muito populares no mercado de criptomoedas.

Na análise fundamental (FA) de criptomoedas, embora a abordagem seja semelhante à usada em mercados tradicionais, não é possível usar ferramentas comprovadas na avaliação de ativos cripto. Para conduzir uma análise fundamental (FA) adequada para criptomoedas, precisamos entender a origem de seu valor.

Neste artigo, tentaremos identificar métricas que podem ser usadas para criar seus próprios indicadores.


O que é a Análise Fundamental (FA)?

A análise fundamental (FA) é uma abordagem usada pelos investidores para estabelecer o "valor intrínseco" de um ativo ou de um negócio. Ao avaliar uma série de fatores internos e externos, o principal objetivo é determinar se o referido ativo ou negócio está supervalorizado ou subvalorizado. Essas informações são usadas para entrar ou sair de posições estrategicamente.

A análise técnica (TA) também fornece dados de trading valiosos, mas resulta em diferentes conclusões. Os usuários de TA (análise técnica) acreditam que podem prever futuros movimentos de preços com base no desempenho passado dos ativos. Eles identificam padrões de velas (candlestick) e estudam indicadores essenciais.
Analistas fundamentais tradicionais geralmente avaliam as métricas de negócios para tentar estimar seu valor real. Os indicadores incluem lucro por ação (valor de lucro da empresa para cada ação em circulação) ou índice preço/valor patrimonial (como os investidores avaliam a empresa em relação ao seu valor patrimonial). Eles podem fazer isso para várias empresas de um nicho, por exemplo, para comparar sua perspectiva de potenciais investimentos em relação a outras.
Para informações mais abrangentes sobre análise fundamental, consulte o artigo O que é Análise Fundamental (FA)?


O problema da análise fundamental para criptomoedas

As redes de criptomoedas não podem ser avaliadas da mesma forma que as empresas tradicionais. Projetos mais descentralizados, como o Bitcoin (BTC) têm algumas características que se assemelham às commodities. Mas mesmo no caso de criptomoedas mais centralizadas (como as emitidas por organizações), os indicadores de análise fundamental (FA) tradicionais não oferecem muitas informações relevantes.

Portanto, precisamos direcionar a nossa atenção a diferentes estruturas. A primeira etapa desse processo é identificar métricas fortes. Nesse caso, "forte" se refere a métricas que não podem ser facilmente manipuladas. Por exemplo, o número de seguidores no Twitter ou de usuários do Telegram/Reddit provavelmente não são boas métricas, pois é fácil criar contas falsas ou comprar engajamento nas redes sociais.

É importante observar que não há uma medida única capaz de fornecer uma imagem completa sobre a rede que estamos avaliando. Podemos consultar o número de endereços ativos em uma blockchain e constatar que a rede está crescendo rapidamente. Mas isso não diz muito sobre o projeto. Esse número pode ser manipulado por um usuário autônomo, transferindo dinheiro de um lado para outro com novos endereços.
Nas seções a seguir, veremos três categorias de métricas de análise fundamental (FA) cripto: métricas on-chain, métricas de projeto e métricas financeiras. Esta lista não abrange todas as métricas, mas deve nos fornecer uma base decente para a criação de indicadores.


Métricas on-chain


As métricas on-chain são as observadas através dos dados fornecidos pela blockchain. É possível fazer isso executando um node (nó) na rede desejada e, em seguida, exportando os dados, mas esse processo pode ser demorado e caro. Principalmente se considerarmos apenas o investimento e não quisermos desperdiçar tempo ou recursos nessa empreitada.
Uma solução mais direta seria extrair as informações de sites ou APIs criados especificamente com o objetivo de informar e auxiliar em decisões de investimento. Por exemplo, a análise on-chain de Bitcoin do CoinMarketCap nos fornece uma infinidade de informações. Fontes adicionais incluem Gráficos de Dados da Coinmetrics ou relatórios de projetos da Binance Research.


Contagem de transações

A contagem de transações é uma boa maneira de medir as atividades em uma rede. Ao rastrear o número para períodos definidos (ou usando médias móveis), podemos ver como a atividade muda com o tempo.

Vale notar que essa métrica deve ser usada com cautela. Assim como acontece com o número de endereços ativos, não podemos ter certeza de que não há usuários transferindo fundos entre suas próprias carteiras para provocar um aumento das atividades on-chain.


Valor da transação

Não deve ser confundido com a contagem de transações. O valor da transação nos diz quanto foi transacionado em um período. Por exemplo, se um total de dez transações Ethereum, no valor de $50 cada, forem enviadas no mesmo dia, o volume de transações diárias será de $500. Podemos medir esse valor em uma moeda fiduciária, como o USD, ou usando a unidade nativa do protocolo (ETH).


Endereços ativos

Os endereços ativos são endereços blockchain que estão ativos em um determinado período. Existem diferentes maneiras para calcular essa métrica, um método popular é a contagem de remetentes e destinatários de cada transação, ao longo de períodos definidos (dias, semanas ou meses). Alguns também examinam o número de endereços exclusivos cumulativamente, ou seja, eles rastreiam o número total de endereços ao longo do tempo.


Taxas pagas

As taxas pagas talvez sejam mais importante para alguns ativos cripto do que para outros. É uma métrica que nos informa sobre a demanda por espaço em bloco. Podemos pensar nelas como lances em um leilão: os usuários competem entre si para que suas transações sejam incluídas em tempo hábil. As transações com lances mais altos serão confirmadas (blocos minerados) mais cedo. Por outro lado, ofertas mais baixas resultarão em um maior tempo de espera.
Para criptomoedas com cronogramas decrescentes de emissão, esta é uma métrica interessante para estudo. As principais blockchains Proof of Work (PoW) fornecem uma recompensa de bloco. Em algumas, a recompensa é composta de um subsídio do bloco e taxas de transação. O subsídio do bloco diminui periodicamente (em eventos como o halving do Bitcoin).

Como o custo da mineração tende a aumentar com o tempo, mas o subsídio do bloco é gradualmente reduzido, faz sentido que as taxas de transação precisem aumentar. Caso contrário, as mineradoras operariam com prejuízo e abandonariam a rede. Isso tem um efeito indireto na segurança da blockchain.


Taxa de hash e valor em staking

Atualmente, as blockchains usam muitos algoritmos de consenso diferentes, cada um com seus próprios mecanismos. Eles desempenham um papel fundamental na proteção da rede. Por isso, pode ser uma ótima ideia avaliar seus dados para a análise fundamental.

A taxa de hash é frequentemente usada como uma medida da integridade de redes de criptomoedas Proof of Work. Quanto mais alta a taxa de hash, mais difícil é a execução de um ataque de 51%. No entanto, um aumento ao longo do tempo também pode indicar um interesse crescente na mineração, provavelmente como resultado de menos despesas e lucros maiores. Por outro lado, uma diminuição na taxa de hash indica a saída de mineradores da rede (miner capitulation), já que a mineração não é mais um processo lucrativo para eles.

Alguns dos fatores que podem influenciar os custos gerais da mineração incluem o preço atual do ativo, o número de transações processadas e as taxas pagas, além de outros. Obviamente, também é importante considerar os custos diretos de mineração (eletricidade, poder computacional).

O Staking (no Proof of Stake, por exemplo) é outro conceito relacionado com a teoria dos jogos semelhante ao da mineração PoW. No entanto, em termos de mecanismos, funciona de forma diferente. A ideia básica é que os usuários façam staking de seus próprios holdings para participar da validação de blocos. Sendo assim, podemos observar o valor de staking em um determinado momento para avaliar o interesse (ou a falta dele).


Métricas de projeto


Enquanto as métricas on-chain focam na observação de dados da blockchain, as métricas de projeto envolvem uma abordagem qualitativa, que considera fatores como o desempenho da equipe (se houver), o whitepaper e o roadmap (roteiro).


O whitepaper

Antes de investir em qualquer projeto, é altamente recomendável que você leia o whitepaper. O whitepaper é um documento técnico que fornece uma visão geral do projeto de criptomoeda. Um bom whitepaper deve apresentar os objetivos do projeto e, de preferência, oferecer detalhes sobre:

  • A tecnologia utilizada (é um software de código aberto?)
  • Os casos de uso que o projeto visa atender
  • O roteiro (roadmap) sobre futuras atualizações e novos recursos
  • O esquema de fornecimento e distribuição de moedas ou tokens

É interessante confrontar essas informações com as discussões relacionadas ao projeto. O que outras pessoas estão dizendo sobre ele? Existem problemas reportados? As metas do projeto parecem realistas?


A equipe

Se houver uma equipe específica responsável pela rede de criptomoedas, informações sobre o histórico de seus membros podem revelar se a equipe possui as habilidades necessárias para implementação do projeto. Os membros já realizaram empreendimentos de sucesso neste setor anteriormente? A experiência e conhecimento são suficientes para atingir as metas definidas? Eles têm histórico de envolvimento em algum projeto suspeito ou em golpes?
Se não houver uma equipe, como é a comunidade de desenvolvedores? Se o projeto tiver um GitHub público, consulte o nível de atividade e qual o número de colaboradores. Uma moeda com desenvolvimento gradual e constante pode ser mais atraente do que uma cujo repositório não é atualizado há dois anos.


Concorrentes

Um whitepaper sólido deve apresentar os objetivos e casos de uso relacionados ao ativo cripto. Nessa etapa, é importante identificar quais são os projetos concorrentes e qual a infraestrutura que será possivelmente substituída.

É de vital importância que a análise fundamental (FA) seja rigorosa. A princípio, um ativo pode parecer atraente, mas a aplicação dos mesmos indicadores a ativos cripto semelhantes pode revelar importantes diferenças entre dois projetos.


Distribuição inicial e economia de Tokens (Tokenomics)

Alguns projetos criam tokens como uma solução que busca por um problema. Não quer dizer que o projeto em si não seja viável, mas seu token pode não ser particularmente útil neste contexto. Sendo assim, é importante determinar se o token tem uma utilidade real. Além disso, é preciso avaliar o reconhecimento e a potencial valorização por parte do mercado, em relação a essa utilidade.
Outro fator importante a se considerar, é como os fundos foram inicialmente distribuídos. Foi através de uma ICO ou IEO? Ou os usuários receberam os fundos através da mineração? No caso de uma ICO, o whitepaper deve informar o valor destinado aos fundadores, à equipe e quanto estará disponível para os investidores. No caso da mineração, devemos procurar evidências do premining realizado pelo criador do ativo (processo de mineração na rede antes do anúncio oficial).
A análise da distribuição pode nos dar uma ideia dos possíveis riscos. Por exemplo, se inicialmente a grande maioria do fornecimento pertencia apenas a algumas partes, poderíamos concluir que este é um investimento arriscado, pois essas partes poderiam, eventualmente, manipular o mercado.


Métricas financeiras


Informações sobre negociações atuais de um ativo, bem como seu histórico de negociações, liquidez, etc. podem ser muito úteis para a análise fundamental (FA). No entanto, outras métricas interessantes que podem se enquadrar nesta categoria são as que dizem respeito à economia e aos incentivos do protocolo de ativos cripto.


Capitalização de mercado

A capitalização de mercado (ou valor da rede) é calculada multiplicando o fornecimento em circulação pelo preço atual. Essencialmente, ela representa o custo hipotético para comprar todas as unidades disponíveis de um ativo cripto (supondo que não exista slippage).

Por si só, o valor de capitalização de mercado pode ser ilusório. Teoricamente, seria fácil emitir um token inútil com um estoque de dez milhões de unidades. Se uma única unidade desse token fosse negociada por $1, a capitalização de mercado seria de $10 milhões. Obviamente, a avaliação deste token seria distorcida – , sem uma proposta de valor sólida é improvável que o mercado geral demonstre interesse no token.

Falando nisso, é impossível determinar exatamente quantas unidades de uma criptomoeda ou token estão em circulação. Moedas podem ser queimadas, chaves podem ser perdidas, e fundos abandonados ou esquecidos. Em vez disso, o que vemos são tentativas de estimar quantas moedas não estão mais em circulação.

Não obstante, a capitalização de mercado é amplamente usada para descobrir o potencial de crescimento das redes. Alguns investidores cripto consideram as moedas de "pequena capitalização" (small-cap) mais propensas a crescer em comparação com as de "grande capitalização" (large-cap). Outros acreditam que as large-caps têm efeitos de rede mais fortes e, portanto, são mais promissoras do que as small-caps.


Liquidez e volume

A liquidez mede a facilidade com a qual um ativo pode ser comprado ou vendido. Um ativo líquido é aquele que não teríamos problemas em vender pelo seu preço de trading atual. Um conceito relacionado é o de mercado líquido, que é um mercado competitivo repleto de ofertas de venda e lances de compra (resultando em um spread de compra e venda mais estreito).

Um possível problema de um mercado sem liquidez é a dificuldade de vender seus ativos a um preço "justo". Em um mercado sem liquidez, não há compradores dispostos a negociar, o que nos deixa com duas opções: diminuir o preço de venda ou esperar até que a liquidez aumente.

O volume de trading é um indicador que pode nos ajudar a determinar a liquidez. Ele pode ser medido de diferentes maneiras e mostra qual foi o valor negociado em um determinado período de tempo. Normalmente, os gráficos exibem o volume diário de trading (em unidades nativas ou em dólares).

Estar familiarizado com a liquidez pode ser útil no contexto da análise fundamental. A liquidez atua como um indicador do interesse do mercado em um investimento potencial.


Mecanismos de fornecimento

Para alguns, os mecanismos de fornecimento de uma moeda ou token são algumas das propriedades mais interessantes do ponto de vista de investimento. De fato, modelos como o Stock-to-Flow (S2F) ratio estão cada vez mais populares entre os proponentes do Bitcoin.
O fornecimento máximo, fornecimento em circulação e a taxa de inflação auxiliam na tomada de decisões. Algumas moedas reduzem o número de novas unidades produzidas ao longo do tempo, tornando-as atraentes para investidores que acreditam que a demanda por novas unidades superará sua disponibilidade. 
Por outro lado, outros investidores acreditam que o limite de fornecimento pode ser prejudicial a longo prazo. Tais preocupações podem desestimular o uso de moedas/tokens, já que os usuários optam por acumulá-las. Outra crítica é que esse sistema oferece recompensas desproporcionais aos pioneiros da rede, ao passo que uma política inflacionária estável seria mais justa para os recém-chegados.


Indicadores, métricas e ferramentas de análise fundamental (FA)

Já definimos as métricas como dados quantitativos - e às vezes qualitativos - usados para análises básicas. Mas por si sós, essas métricas muitas vezes não nos contam toda a história. Para obter informações mais detalhadas sobre os fundamentos de uma moeda, também é importante avaliar os dados de indicadores.

Um indicador geralmente combina várias métricas, usando fórmulas estatísticas para criar relações mais fáceis de analisar. No entanto, há muita sobreposição entre uma métrica e um indicador, tornando a definição bastante vaga. 

Embora o número de carteiras ativas seja um parâmetro valioso, podemos combiná-lo com outros dados para obter informações mais aprofundadas. Podemos avaliar uma porcentagem do total de carteiras ou dividir a capitalização de mercado de uma moeda pelo número de carteiras ativas. Esse cálculo nos forneceria uma quantia média armazenada por carteira ativa. Ambos permitem que você tire conclusões sobre a atividade da rede e a confiança dos usuários, ao armazenar o ativo. Falaremos mais sobre isso na próxima seção.

As ferramentas de análise fundamental facilitam a coleta de todas essas métricas e indicadores. Embora seja possível consultar os dados brutos em explorers de blockchain, é mais eficiente usar um aplicativo ou um painel de controle. Algumas ferramentas permitem que você crie seus próprios indicadores com as métricas escolhidas.


Combinando métricas e criando indicadores de Análise Fundamental (FA)

Agora que estamos familiarizados com a diferença entre métricas e indicadores, vamos falar sobre a combinação de métricas para entender melhor o desempenho financeiro dos ativos. Por que fazer isso? Bem, como descrevemos anteriormente, todas as métricas apresentam imperfeições. Além disso, se observarmos somente um conjunto de números para cada projeto de criptomoeda, estaríamos negligenciando muitas informações cruciais. Considere o seguinte cenário:


Moeda A

Moeda B

Capitalização de Mercado

$100.000.000

$5.000.000

Contagem de transações (6 meses)

20.000.000

40.000.000

Valor médio de transação (6 meses)

$50

$100

Endereços ativos (6 meses)

30.000

2.000


Isoladamente, os endereços ativos não nos fornecem informações relevantes ao compararmos as duas ofertas. Certamente podemos dizer que a Moeda A teve mais endereços ativos nos últimos seis meses do que a Moeda B, mas isso está longe de ser uma análise abrangente. Qual é a relação desse número com a capitalização de mercado? Ou com o número de transações?
Uma abordagem mais adequada seria criar algum tipo de proporção, para que pudéssemos aplicá-la às estatísticas da Moeda A. Então, aplicamos o mesmo método para a Moeda B e comparamos os resultados. Dessa forma, não estamos comparando cegamente as métricas individuais de cada moeda. Em vez disso, criamos um padrão para avaliar as moedas de forma independente. 
Poderíamos, por exemplo, perceber que a relação entre a capitalização de mercado e a contagem de transações é muito mais relevante do que considerarmos apenas a capitalização de mercado. Nesse caso, podemos dividir a capitalização de mercado pela contagem de transações. Para a Moeda A, tivemos uma proporção de 5. Já a proporção da Moeda B é de 0,125.
Considerando apenas essa proporção, podemos pensar que a Moeda B é intrinsecamente mais valiosa do que a Moeda A, pois o número calculado é menor. Isso significa que há uma quantidade muito maior de transações em relação ao valor de mercado da Moeda B. Isso pode sugerir que a Moeda B oferece mais em termos de utilidade, ou que a Moeda A está supervalorizada. 
Nenhuma dessas observações deve ser interpretada como um conselho de investimento – este é um simples exemplo de como podemos simular uma pequena parte do cenário geral. Sem compreender os objetivos dos projetos e a função das moedas, não é possível determinar se o número de transações relativamente menor da Moeda A é um resultado positivo ou negativo.
Um índice semelhante que obteve certa popularidade nos mercados de criptomoedas é o índice NVT. Criado pelo analista Willy Woo, a relação entre valor de rede-transação tem sido chamada de "relação preço-lucro do mundo cripto". Em termos simples, esse índice envolve a divisão da capitalização de mercado (ou valor de rede) pelo valor transacionado (normalmente em um gráfico diário).

Neste artigo, estamos apenas introduzindo conceitos sobre os tipos de indicadores que podem ser usados. A análise fundamental (FA) é o desenvolvimento de um sistema usado para avaliar projetos de maneira geral. Quanto mais pesquisas de qualidade, mais dados relevantes podem ser obtidos.


Principais métricas e indicadores da Análise Fundamental (FA)

Há um grande número de indicadores e métricas disponíveis. Para iniciantes, recomendamos começar com alguns dos mais populares. Cada indicador conta apenas parte da história, portanto, é interessante usar vários em sua análise.


Relação Entre o Valor da Rede e as Transações (NVT)

Para quem já conhece a relação preço/lucro usada para análise de ações, o indicador NVT (diário) - Network Value to Transactions - fornece uma análise semelhante. Ele é calculado dividindo a capitalização de mercado de uma moeda pelo volume de transações diárias. 

Usamos o volume de transações diárias como um substituto para o valor subjacente e inerente de uma moeda. Esse conceito se baseia na suposição de que quanto mais volume se movimenta no sistema, maior o valor do projeto. Se a capitalização de mercado de uma moeda aumentar, mas o volume de transações diárias diminuir, pode ser um indicativo de formação de "bolha". Os preços estão subindo sem que haja um aumento correspondente no valor subjacente. Considerando o cenário oposto, o preço de uma moeda ou token pode permanecer estável enquanto o volume de transações diárias aumenta. Neste caso, o indício é de uma possível oportunidade de compra.

Quanto maior o valor da relação, maior a probabilidade de ocorrer uma bolha. Geralmente, este ponto é observado quando o NVT ultrapassa 90-95. Um índice decrescente indica que a supervalorização da criptomoeda está diminuindo. 


Relação Entre o Valor de Mercado e o Valor Realizado (MVRV)

Antes de mais nada, precisamos entender o que significa valor realizado para um ativo cripto. O valor de mercado, também conhecido como capitalização de mercado, é o fornecimento total de moedas multiplicado pelo preço de mercado atual. O valor realizado, por sua vez, desconta o valor de moedas perdidas em carteiras inacessíveis. 

Neste caso, as moedas de carteiras inacessíveis são avaliadas de acordo com o preço de mercado no momento de sua última transação. Por exemplo, um Bitcoin perdido em uma carteira desde fevereiro de 2016 terá um valor aproximado de US$400.

Para obter o indicador MVRV, simplesmente dividimos a capitalização de mercado pelo valor de capitalização realizado. Se a capitalização de mercado for muito maior do que o valor realizado, teremos uma proporção relativamente alta. Uma proporção acima de 3,7 sugere a supervalorização da moeda, o que incentiva os traders a consolidar seus lucros. 

Este número indica uma possível supervalorização da moeda. Como aconteceu, por exemplo, antes de duas grandes vendas de Bitcoin em 2014 (MRVR de aproximadamente 6) e 2018 (MRVR de aproximadamente 5). Um valor muito baixo e inferior a 1 indica que o mercado está subvalorizado. O que seria um momento oportuno para comprar, pois a pressão de compra fará o preço subir.


Modelo stock-to-flow

O indicador stock-to-flow é um popular indicador de preço de criptomoedas, que normalmente têm fornecimento limitado. O modelo considera cada criptomoeda como um recurso fixo e escasso, semelhante a metais ou pedras preciosas. Já que o fornecimento é limitado e desprovido de novas fontes, investidores usam esses ativos como reserva de valor.

Para calcular o indicador, dividimos o fornecimento total global em circulação pela produção total anual. No caso do Bitcoin, você pode facilmente encontrar dados sobre novas moedas recém-mineradas. Um processo de mineração menos lucrativo resulta em um índice mais alto, refletindo sua escassez, tornando o ativo mais valioso. Como o Bitcoin periodicamente reduz a recompensa de mineração pela metade (halving), vemos um fluxo previsível e limitado de novas moedas no mercado.


Podemos ver que o stock-to-flow tem sido um bom indicador do preço do Bitcoin. O preço foi sobreposto à média de 365 dias da relação e mostra uma proporção quase equivalente. No entanto, esse modelo tem algumas desvantagens. 

Por exemplo, o ouro atualmente tem uma relação stock-to-flow próxima de 60, o que significa que levaria 60 anos para minerar o atual fornecimento de ouro, no fluxo atual. O Bitcoin deve atingir uma relação de 1.600 em cerca de 20 anos, o que estabelece previsões de preços e uma capitalização de mercado mais alta do que toda a riqueza atual do mundo. 

Além disso, os modelos stock-to-flow apresentam problemas quando ocorre deflação, podendo indicar um preço negativo. Se um crescente número de pessoas perdessem as chaves de suas carteiras e novos bitcoins não fossem minerados, teríamos uma proporção negativa. Graficamente, observaríamos a relação stock-to-flow tendendo ao infinito e depois se tornando negativa.

Se quiser aprender mais sobre este modelo, confira nosso guia Bitcoin e o Modelo Stock-to-Flow.


Exemplos de Ferramentas de Análise Fundamental

Baserank

O Baserank é uma plataforma de pesquisa de ativos cripto que agrega dados e avaliações feitas por analistas e investidores. O ativo recebe uma pontuação geral de 0 a 100 após uma média da pontuação de cada revisão. Embora os assinantes tenham acesso a análises premium, usuários gratuitos têm uma visão abrangente de análises divididas em categorias, incluindo equipes, recursos e risco de investimento. Se você tem pouco tempo e precisa de uma rápida avaliação sobre um projeto ou moeda, recomendamos o Baserank. Mas lembre-se, antes de investir, é sempre uma boa ideia estudar mais a fundo os projetos de seu interesse.


Crypto Fees

Como o nome da ferramenta sugere, o Crypto Fees (em português, "Taxas Cripto") mostra as taxas de cada rede nas últimas 24 horas ou sete dias. É uma métrica fácil de usar para análise de tráfego e de atividades de uma rede blockchain. Redes com taxas altas normalmente apresentam grande demanda.

No entanto, você não deve considerar essa métrica apenas pelo valor nominal. Algumas blockchains são desenvolvidas justamente para oferecer taxas baixas, o que dificulta a comparação com outras redes. Nesses casos, é melhor considerar o valor nominal juntamente com o valor da transação ou com outras métricas. Por exemplo, moedas de grande capitalização de mercado, como Dogecoin ou Cardano, estão em posições mais baixas nos gráficos devido às suas taxas de transação mais baratas.


Glassnode Studio

O Glassnode Studio oferece um painel de controle com uma ampla série de dados e métricas on-chain. Como a maioria das ferramentas oferecidas, é necessária uma assinatura. No entanto, a quantidade oferecida de dados on-chain gratuitos é bem aprofundada e adequada para investidores amadores. É muito mais fácil encontrar todas as informações em um só lugar, em vez de coletá-las usando explorers de blockchain. O diferencial do Glassnode é o grande número de categorias e subcategorias métricas disponíveis. No entanto, se você está interessado em projetos da Binance Smart Chain, não é o mais indicado.

Para combinar suas métricas com análise técnica, o Glassnode Studio também inclui o TradingView com todas as suas ferramentas de gráficos. Traders e investidores geralmente combinam vários tipos de análise para a tomada de decisão. É uma grande vantagem ter todas essas ferramentas disponíveis em um só lugar.


Considerações finais

Se feita corretamente, a análise fundamental pode fornecer informações inestimáveis sobre criptomoedas, de uma forma que a análise técnica não é capaz de fazer. A capacidade de separar o preço de mercado do valor "real" de uma rede, é uma excelente habilidade de trading. É claro que existem vantagens nas funções da análise técnica (TA) que não encontramos na análise fundamental (FA). É por isso que muitos traders combinam as duas.

Como acontece com muitas estratégias, não existe um manual de Análise Fundamental (FA) que sirva para todos os casos. A ideia deste artigo é ajudá-lo a entender alguns dos fatores a serem considerados antes de entrar ou sair de posições com ativos cripto.