O que é Inflação?
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O que é Inflação?

Iniciante
Published Nov 28, 2018Updated May 11, 2021
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Me explique como se eu tivesse cinco anos (ELI5)

Você já ouviu sua avó falar como tudo era mais barato quando ela era mais nova? É por causa da inflação. Isso acontece devido a irregularidades na oferta e demanda de produtos e serviços que, por sua vez, acarretam um aumento nos preços.

Existem algumas vantagens mas, geralmente, muita inflação é algo ruim: porque você economizaria seu dinheiro se amanhã ele vai valer menos? Em momentos de inflação muito alta, governos implementam políticas de controle que visam reduzir os gastos da população.


Conteúdo


Introdução

A inflação pode ser definida como a redução do poder de compra de uma determinada moeda. Trata-se do aumento contínuo do preço de produtos e serviços de uma economia.

Enquanto “mudança de preço relativo” geralmente significa que apenas um ou dois produtos tiveram um aumento de preço, a inflação se refere a um aumento nos custos de quase todos os itens da economia. Além disso, a inflação é um fenômeno de longo prazo, ou seja, para a inflação existir, o aumento dos preços deve ser contínuo e não apenas um evento esporádico.

A maioria dos países realiza medições e publicações anuais das taxas de inflação. Geralmente, você verá a inflação expressa como uma variação percentual, ou seja, crescimento ou declínio em relação ao período anterior.

Neste artigo, falaremos das diferentes causas da inflação, formas de medi-la e os impactos (positivos e negativos) que ela pode trazer para a economia do países.


Causas da inflação

Basicamente, existem duas causas comuns de inflação. A primeira, ocorre quando a quantidade de moedas em circulação (oferta/suprimento) aumenta rapidamente. Por exemplo, quando os europeus colonizaram o hemisfério ocidental no século 15, grandes quantidades de ouro e prata foram levadas para a Europa causando inflação (a oferta era muito alta).

A segunda causa, é quando ocorre uma escassez na oferta de um produto específico que apresenta alta demanda. Isso pode desencadear um aumento no preço daquele produto, o que reflete na economia do país. O resultado pode ser um aumento geral de preços de quase todos os produtos e serviços.

Aprofundando um pouco mais, podemos listar diferentes tipos de eventos que levam à inflação. Neste artigo, descreveremos a inflação de demanda (demand-pull inflation), inflação de custos (cost-push inflation) e a inflação estrutural (built-in inflation). Embora existam outras variações, esses são os principais tipos do “triangle model” (modelo triangular), proposto pelo economista Robert J. Gordon.


Inflação de demanda

A inflação de demanda é o tipo mais comum de inflação, causada pelo aumento dos gastos. Nesse caso, a demanda supera a oferta de produtos e serviços –  o que cria um fenômeno que faz os preços subirem.

Para ilustrar isso, considere um mercado onde um padeiro vende seus produtos. Ele é capaz de produzir aproximadamente 1.000 pães por semana. Até aí, tudo funciona bem, pois ele vende aproximadamente essa mesma quantia toda semana.

Agora, suponha que aconteça um grande aumento na demanda de pães, causada pelo aumento do poder aquisitivo dos consumidores, em um cenário de melhora das condições econômicas, por exemplo. Nesse cenário, é provável que o padeiro aumente o preço dos pães.

Por quê? Bem, lembre-se que o padeiro possui uma capacidade de produção limitada a aproximadamente 1.000 pães por semana. Nem sua equipe, nem seus fornos conseguem produzir mais do que essa quantia. Ele poderia comprar mais fornos e contratar mais funcionários, mas essa expansão do seu negócio levaria tempo e demandaria investimentos.

Então temos muitos clientes e não temos pão suficiente para todos. Com isso, alguns clientes estarão dispostos a pagar preços mais altos pelo pão, o que geraria um efeito natural de aumento do preços por parte do padeiro.

Agora, imagine que além do aumento da demanda por pães, as melhores condições econômicas também gerassem um aumento na demanda por leite, óleo e vários outros produtos. É exatamente essa a definição de inflação de demanda. As pessoas compram cada vez mais produtos de forma que a demanda supera a oferta – fazendo com que os preços subam.


Inflação de custos

A inflação de custos ocorre quando os preços sobem como resultado de um aumento dos custos de matérias-primas ou de produção. Como o nome em inglês sugere (cost-push inflation), os custos são “empurrados”, ou seja, repassados ao consumidor.

Vamos voltar ao exemplo do padeiro. Suponha que ele investiu em novos fornos e contratou uma nova equipe para aumentar sua capacidade de produção para 4.000 pães por semana. Nesse momento, a oferta atende à demanda e todos estão felizes.

Porém, chega uma notícia preocupante para o padeiro. A safra de trigo está particularmente ruim nesta temporada, o que significa que não há oferta de trigo suficiente para todas as padarias da região. Por isso, o padeiro deve pagar mais caro pelo trigo necessário para a produção de pães. Com esse aumento no custo de produção, ele precisará repassar o mesmo aumento para o preço dos pães, embora a demanda do consumidor não tenha aumentado.

Outra possibilidade, seria o aumento do salário mínimo por parte do governo. Isso também aumentaria os custos de produção do padeiro, o que por sua vez acarretaria no aumento do preço dos pães.

Em larga escala, a inflação de custos é geralmente causada por escassez de insumos (como trigo ou petróleo), aumento de impostos sobre produtos ou queda das taxas de câmbio (que aumentam o custo de produtos importados).


Inflação estrutural

A inflação estrutural (built-in inflation), também chamada de hangover inflation, é um tipo de inflação que deriva de atividades econômicas anteriores. Sendo assim, pode ser desencadeada pelas duas causas anteriores de inflação, caso estas persistam ao longo do tempo. A inflação estrutural está muito relacionada aos conceitos de expectativas inflacionárias e espiral preço-salário. 
O conceito de expectativas inflacionárias implica na ideia de que – após períodos de inflação – indivíduos e empresas têm a expectativa de que a inflação persista no futuro. Por exemplo, se existe um histórico de inflação em anos anteriores, é mais provável que empregados negociem salários mais altos, fazendo com que as empresas cobrem mais por seus produtos e serviços.

O conceito da espiral preço-salário está ligado à tendência da inflação estrutural de causar mais inflação. Pode ocorrer quando empregados e empresas não conseguem chegar a um acordo sobre o valor de seus salários. Por exemplo, enquanto os trabalhadores exigem salários mais altos com o objetivo de proteger seu patrimônio da inflação esperada (expectativa inflacionária), as empresas são forçadas a repassar esse aumento de custos para seus produtos e serviços. Isso pode gerar um ciclo onde, trabalhadores exigem salários ainda mais altos em resposta ao aumento dos custos de produtos e serviços – e esse ciclo continua repetidamente.


Ações de combate à inflação


A inflação descontrolada pode ser prejudicial para a economia de um país, então a expectativa é que governos tomem medidas para limitar os impactos da inflação. Isso pode ser feito controlando o fornecimento/emissão da moeda e também fazendo mudanças na  política monetáriafiscal do país.
Os bancos centrais (como o Federal Reserve dos Estados Unidos) têm o poder de alterar a oferta de dinheiro fiduciário, aumentando ou diminuindo a quantidade em circulação. Um exemplo comum é a flexibilização quantitativa (QE), em que os bancos centrais compram ativos de bancos para injetar dinheiro recém-impresso na economia. Esta medida pode, na verdade, agravar a inflação, por isso não é usada quando inflação é o problema.

O oposto a QE é o agravamento quantitativo (QT), que é uma política monetária capaz de reduzir a inflação diminuindo a oferta de dinheiro. No entanto, há poucas evidências que sustentam o QT como uma ação eficaz de combate à inflação. Na prática, a maioria dos bancos centrais controla a inflação aumentando as taxas de juros.


Taxas de juros mais altas

Taxas de juros mais altas significam financiamentos mais caros. Como resultado, o crédito se torna menos atraente para consumidores e empresas. Especialmente para o consumidor, o aumento das taxas de juros desestimula os gastos, fazendo com que a demanda por produtos e serviços diminua.

Em períodos de juros altos, torna-se mais atraente economizar dinheiro, principalmente para quem faz empréstimos para ganhar com juros. No entanto, há uma queda no potencial de crescimento da economia, pois as empresas e os indivíduos estão mais cautelosos ao solicitar crédito, investir na expansão de seus negócios ou mesmo gastar com bens de consumo.


Mudanças na política fiscal

Embora a maioria dos países utilize de políticas monetárias para controlar a inflação, alterar a política fiscal também é uma opção. Basicamente, a política fiscal se refere aos gastos dos governos e aos ajustes de impostos para influenciar a economia do país. 

Se os governos aumentarem a taxa do imposto de renda, por exemplo, os trabalhadores terão menos renda disponível, o que acarretaria em uma redução da demanda no mercado e, teoricamente, deve reduzir a inflação. No entanto, esse é um caminho perigoso, pois a população pode reagir de maneira desfavorável ao aumento de impostos.


Medindo a inflação com um índice de preços

Nós já descrevemos algumas medidas utilizadas no combate à inflação, mas como sabemos se, de fato, ela precisa ser combatida? O primeiro passo, evidentemente, é medi-la. Normalmente, isso é feito através do acompanhamento de um índice durante um determinado período de tempo. Em muitos países, um Índice de Preços ao Consumidor (ou IPC) é a medida de inflação utilizada.

O IPC leva em consideração os preços de uma ampla variedade de produtos de consumo, usando uma média ponderada para avaliar itens e serviços comprados pelas famílias. Esse índice é medido com certa frequência e o resultado é comparado com resultados históricos. Entidades como o Bureau of Labor Statistics (BLS) dos EUA coletam esses dados de comerciantes em todo o país para garantir que seus cálculos sejam os mais precisos possíveis. 

No cálculo do CPI, poderíamos obter, por exemplo, uma pontuação de 100 para o “ano base” e então uma pontuação de 110, dois anos depois. Isso indica que, em dois anos, houve um aumento geral de 10% nos preços.

A presença de uma pequena taxa de inflação não é algo necessariamente ruim pois trata-se de uma ocorrência natural nos sistemas de moeda fiduciária atuais. Na verdade, a inflação é um tanto benéfica, pois incentiva os gastos e os empréstimos. É importante estar atento à taxa de inflação para garantir que ela não tenha efeitos negativos sobre a economia.



Prós e contras da inflação

A inflação pode parecer algo que vale a pena evitar completamente mas continua sendo parte integrante das economias modernas, por isso é um assunto que sempre está em pauta. Vamos analisar algumas das vantagens e desvantagens da inflação.


Prós da inflação

Aumento em gastos, investimentos e empréstimos

Como mencionamos anteriormente, uma baixa taxa de inflação pode beneficiar a economia ao estimular gastos, investimentos, empréstimos e financiamentos. É nesse momento que faz mais sentido adquirir produtos ou serviços, já que a inflação faz com que a mesma quantidade de dinheiro tenha um poder de compra menor no futuro.


Aumento dos lucros

A inflação leva as empresas a aumentar os preços de seus produtos e serviços, na tentativa de se proteger dos efeitos dela. Esses aumentos de preço podem ser justificados pela inflação, mas muitas vezes há um aumento de preços em busca de lucro adicional.


É melhor do que deflação

Como você pode imaginar pelo próprio nome, a deflação é o oposto da inflação, ou seja, trata-se da queda dos preços ao longo do tempo. Em um cenário de deflação, como os preços estão caindo, começa a fazer mais sentido para os consumidores o adiamento de suas compras, pois eles podem conseguir preços ainda melhores se aguardarem um pouco. Dessa forma, a demanda por produtos e serviços é reduzida, impactando negativamente a economia. 

Historicamente, os períodos de deflação resultaram em taxas de desemprego mais altas e uma mudança em direção ao acúmulo de dinheiro, bem como menor incentivo para gastos e investimentos. Embora não seja algo necessariamente ruim para o indivíduo, a deflação tende a prejudicar o crescimento econômico do país.


Contras da inflação

Desvalorização da moeda e hiperinflação

Encontrar a taxa de inflação ideal é difícil e não controlá-la pode gerar consequências catastróficas. Isso degrada a riqueza que os indivíduos possuem. Por exemplo: se você guardar $100.000 em dinheiro dentro do seu colchão hoje, ele não terá o mesmo poder de compra daqui a dez anos.

A alta taxa de inflação pode levar à hiperinflação, que ocorre quando os preços sobem mais de 50% em um mês. Por exemplo, você pagaria $15 por um item de necessidade básica que custava apenas $10, poucas semanas atrás. Em períodos de hiperinflação, a taxa de aumento dos preços frequentemente ultrapassam os 50%, destruindo a moeda e a economia do país.


Incerteza

Em um cenário de altas taxas de inflação, geralmente a incerteza predomina. Por não saberem sobre o futuro da economia do país, indivíduos e empresas se tornam mais cautelosos com seu dinheiro – consequentemente, há menos investimentos e menos crescimento econômico.


Intervencionismo do governo

Alguns especialistas se opõem à ideia do governo de tentar controlar a inflação, citando os princípios do livre mercado. Eles argumentam que a capacidade do governo de “imprimir dinheiro” (ou Brrrrr, termo popular no mundo das criptomoedas) arruína os princípios econômicos naturais.


Considerações finais

Os efeitos da inflação geram aumento dos preços e do custo de vida ao longo do tempo. É um fenômeno presente nas economias mundiais e que se for controlado corretamente, pode ser benéfico para as economias.

No mundo de hoje, as melhores soluções parecem residir em políticas fiscal e monetária flexíveis, que permitam que os governos se adaptem para manter os preços em alta, mas sob controle. No entanto, essas políticas devem ser implementadas com muito cuidado, ou podem acabar causando ainda mais danos à economia.


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