O Que é Quantitative Easing?
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O Que é Quantitative Easing?

O Que é Quantitative Easing?

Intermedi√°rio
Publicado em Feb 18, 2019Atualizado em Feb 23, 2023
5m

A Quantitative Easing (Flexibiliza√ß√£o Quantitativa) √© uma pr√°tica controversa e pode apresentar diferentes defini√ß√Ķes. Mas, basicamente, √© uma opera√ß√£o de mercado (realizada por bancos centrais) que aumenta a liquidez e infla√ß√£o, com uma suposta inten√ß√£o de estimular economicamente um pa√≠s, encorajando empresas e consumidores a pedirem mais empr√©stimos e consumirem mais.


Como funciona?

Normalmente, a pr√°tica consiste em um banco central injetando dinheiro na economia ao comprar valores mobili√°rios (por exemplo, a√ß√Ķes e t√≠tulos) do governo ou de bancos comerciais.

Os bancos centrais engordam as reservas dos bancos comerciais (que adotam o sistema bancário de reservas fracionárias) por meio da extensão de novo crédito. Visto que o novo crédito não possui lastro em uma mercadoria ou algo de valor físico, a prática de Quantitative Easing (QE) cria, basicamente, dinheiro do nada.

Sendo assim, o objetivo da QE √© aumentar a oferta monet√°ria, tornando o dinheiro mais acess√≠vel, visando um est√≠mulo na atividade econ√īmica. O intuito √© manter as taxas de juros baixas, impulsionando empr√©stimos para empresas e consumidores, promovendo confian√ßa na economia. Na pr√°tica, entretanto, esse processo nem sempre funciona, sendo uma abordagem muito controversa, com defensores e opositores.

O QE √© uma pol√≠tica monet√°ria de expans√£o relativamente nova. Alguns¬†estudiosos acreditam que seu primeiro uso aconteceu no Jap√£o, ao final dos anos 90.¬†Entretanto,¬†muitos economistas debatem sobre as pr√°ticas monet√°rias adotadas naquela √©poca pelo banco central japon√™s. A principal d√ļvida √© se essas pr√°ticas realmente se enquadram nas defini√ß√Ķes de QE. Desde ent√£o, v√°rias outras na√ß√Ķes implementaram essa pr√°tica na tentativa de minimizar problemas econ√īmicos.


O que desencadeou o uso da Quantitative Easing?

A QE foi idealizada para resolver problemas que emergem quando as pr√°ticas do sistema banc√°rio convencional falham na preven√ß√£o de recess√Ķes. O objetivo prim√°rio da QE √© aumentar a infla√ß√£o (para evitar a defla√ß√£o)¬†‚Äste o ajuste na taxa de juros √© uma das principais ferramentas que os bancos centrais usam para manter a infla√ß√£o sob controle. Quando os empr√©stimos e atividades financeiras diminuem, o banco central de uma na√ß√£o pode reduzir a taxa de juros para tornar a extens√£o de cr√©dito mais acess√≠vel. Por outro lado, quando as coisas se tornam ‚Äúlivres demais‚Ä̬†‚Äď e os n√≠veis de consumo e cr√©dito alcan√ßam n√≠veis perigosos ‚Äď um aumento na taxa de juros pode funcionar como uma esp√©cie de freio.¬†


A Quantitative Easing é efetivo?

Logo ap√≥s a crise financeira de 2008 ter acabado, o Fundo Monet√°rio Internacional (FMI) publicou uma nota, na qual a QE foi discutida como uma efetiva pol√≠tica econ√īmica n√£o convencional. A an√°lise incluiu os cinco principais bancos centrais do mundo: a Federal Reserve dos EUA, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra, o Banco do Canad√° e o Banco do Jap√£o.

Cada institui√ß√£o implantou uma estrat√©gia diferente, mas a maioria deles aumentou drasticamente a liquidez geral do mercado. O relat√≥rio afirmou que as interven√ß√Ķes realizadas pelos bancos centrais foram bem-sucedidas, e que o aumento de liquidez foi importante para evitar uma crise econ√īmica prolongada e um colapso do sistema financeiro.

Entretanto, a QE não é sempre efetiva, sendo altamente dependente do contexto e estratégia aplicada. Várias economias que experimentaram o uso da QE (ou de uma abordagem similar) não tiveram os efeitos desejados. Se não for gerenciado corretamente, o ato de injetar dinheiro em uma economia e reduzir taxas de juros pode causar resultados inesperados e indesejáveis. Abaixo listamos as potenciais vantagens e desvantagens dessa política.


Potenciais vantagens e efeitos positivos

  • Mais cr√©dito: Por conta do aumento de fundos providenciado pela compra de t√≠tulos e ativos que o banco central promove, os bancos comerciais se sentem encorajados a oferecer mais cr√©dito na forma de empr√©stimos.
  • Aumento de empr√©stimos:¬†Consumidores e empresas tendem a adquirir novas d√≠vidas quando as taxas de juros est√£o baixas.
  • Maior Consumo:¬†Os consumidores aumentam seus gastos por conta dos v√°rios empr√©stimos sendo realizados. Quando as taxas de juros est√£o baixas, n√£o √© vantajoso manter dinheiro parado na poupan√ßa.
  • Aumento de Empregos: Quando empresas t√™m maior acesso √† capital financeiro por meio de empr√©stimos e vendem mais devido ao gasto crescente dos consumidores, elas se sentem mais ¬†√† vontade para expandir suas opera√ß√Ķes e contratar mais funcion√°rios.


Potenciais desvantagens e efeitos negativos

V√°rios especialistas expressam preocupa√ß√Ķes pelo fato da QE ser usada como ¬†‚Äúband-aid‚ÄĚ para cobrir problemas estruturais muito maiores, que eventualmente ir√£o reaparecer e impactar a economia. Alguns poss√≠veis pontos negativos:

  • Infla√ß√£o: O aumento da oferta monet√°ria causada pela QE naturalmente cria infla√ß√£o. Com mais dinheiro em circula√ß√£o, os produtos passam a ser mais disputados, causando um aumento nos pre√ßos.¬†Se n√£o forem gerenciadas corretamente, as taxas de infla√ß√£o podem aumentar de forma descontrolada, levando √† hiperinfla√ß√£o.
  • Empr√©stimos n√£o obrigat√≥rios:¬†Na QE, bancos comerciais devem usar o dinheiro recebido dos bancos centrais para oferecer mais cr√©dito √† empresas e consumidores. Mas n√£o h√° cl√°usula que obrigue esse tipo de opera√ß√£o. Por exemplo, quando a QE foi inicialmente aplicado nos EUA ap√≥s a¬†crise financeira de 2008, v√°rios bancos guardaram sua nova riqueza ao inv√©s de distribu√≠-la.
  • Mais d√≠vida:¬†Empr√©stimos mais acess√≠veis podem gerar consequ√™ncias negativas para a economia, fazendo com que empresas e consumidores criem d√≠vidas maiores do que podem arcar.
  • Impacto em outros tipos de investimento: O mercado de t√≠tulos normalmente responde negativamente √† instabilidades e mudan√ßas abruptas, bastante comuns ap√≥s pr√°ticas de QE.


Exemplos

Alguns países cujos bancos centrais adotaram práticas de Quantitative Easing incluem:

  • Banco do Jap√£o: 2001-2006 e 2012 (Abenomics).
    A aplica√ß√£o da QE n√£o melhorou os problemas financeiros da na√ß√£o. O Yen Japon√™s enfraqueceu frente ao D√≥lar americano e o custo das importa√ß√Ķes aumentou.¬†
  • Estados Unidos: 2008-2014.¬†
    Os Estados Unidos implementaram tr√™s rodadas de QE para solucionar a crise imobili√°ria e a recess√£o. A economia se reergueu, mas ainda h√° discuss√Ķes sobre o papel da QE na recupera√ß√£o.
  • Banco Central Europeu: 2015-2018.¬†
    A Zona do Euro teve alguns erros e acertos, com inflação estável, desemprego reduzido e uma economia forte em 2017. Porém, ainda está lidando com uma taxa de aumento salarial desanimadora e juros crescentes.


Considera√ß√Ķes Finais

Como uma estrat√©gia monet√°ria n√£o-convencional, a QE pode ter influenciado a recupera√ß√£o de algumas economias, mas certamente √© uma estrat√©gia controversa, e at√© mesmo essa conclus√£o √© discut√≠vel. A maior parte dos poss√≠veis riscos, como hiperinfla√ß√£o e o endividamento excessivo ainda n√£o se concretizaram de maneira devastadora, mas algumas na√ß√Ķes que fizeram uso da QE sofreram instabilidade cambial e tiveram um impacto negativo em outras √°reas da economia. As consequ√™ncias da aplica√ß√£o prolongada dessa pr√°tica ainda n√£o s√£o claras o bastante, e os efeitos da QE podem ser completamente diferentes dependendo do contexto e abordagem.

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