Atualização 'The Merge' da Ethereum: Tudo o Que Você Precisa Saber
Tabela de Conteúdos
Introdução
Por que a Ethereum está implementando atualizações?
Atualizações da Ethereum: Perspectiva Geral
O que vem depois da atualização The Merge?
Impacto da Merge sobre o ETH
Impacto da Merge sobre o BETH
Considerações finais
Atualização 'The Merge' da Ethereum: Tudo o Que Você Precisa Saber
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Atualização 'The Merge' da Ethereum: Tudo o Que Você Precisa Saber

Atualização 'The Merge' da Ethereum: Tudo o Que Você Precisa Saber

Intermediário
Publicado em Sep 1, 2022Atualizado em Sep 23, 2022
8m


TL;DR

Em breve, a mainnet (rede principal) da Ethereum mudará de um mecanismo de consenso Proof of Work para o mecanismo Proof of Stake, através de uma atualização chamada The Merge (em tradução livre, "a fusão"). A Merge faz parte de uma série de grandes atualizações do ecossistema Ethereum, que também inclui The Surge, The Verge, The Purge e The Splurge. O objetivo dessas atualizações é fornecer mais escalabilidade e eficiência energética à Ethereum. A Merge combinará a mainnet da Ethereum com a rede Proof of Stake da Beacon Chain. A atualização está programada para ocorrer em setembro de 2022. 

Introdução

Desde o seu lançamento, em 2015, a Ethereum se estabeleceu na indústria blockchain como uma plataforma descentralizada muito popular, permitindo que milhares de projetos fossem criados em sua blockchain. Embora continue sendo uma das blockchains mais importantes, a infraestrutura atual da Ethereum não fornece a escalabilidade necessária a suas operações para atender à crescente demanda global. Para combater a falta de escalabilidade, a equipe da Ethereum propôs um conjunto de atualizações que resultariam em uma versão evoluída da blockchain Ethereum. Essas atualizações incluem a Beacon Chain, The Merge, The Surge, The Verge, The Purge e The Splurge.

Por que a Ethereum está implementando atualizações?

Geralmente, as blockchains são desenvolvidas com um princípio fundamental de descentralização e não dependem de uma autoridade central. Os benefícios de blockchains descentralizadas incluem o fato de serem permissionless, trustless e mais seguras, graças à sua resistência contra pontos únicos de falha. 

À medida que as blockchains se tornam mais populares, as plataformas devem garantir que elas sejam capazes de atender à necessidade global de processamento rápido de transações, também chamada de demanda de escalabilidade. Caso contrário, a rede pode ter congestionamentos, quando a capacidade da blockchain estiver sobrecarregada com um grande número de transações pendentes. Muitas vezes, isso provoca um aumento nas taxas de transação. 

No entanto, alcançar segurança e escalabilidade pode ser uma tarefa difícil caso as blockchains queiram preservar sua natureza descentralizada. Este problema é explicado pelo conceito do trilema de escalabilidade, proposto por Vitalik Buterin. O Trilema da Blockchain descreve o desafio de equilibrar três propriedades importantes – escalabilidade, segurança e descentralização.

Conforme análise de Vitalik Buterin, a rede Ethereum pré-Merge, devido ao seu mecanismo de consenso Proof of Work, não é capaz de satisfazer os critérios de escalabilidade. Geralmente, uma blockchain Proof of Work tem mais dificuldade em obter escalabilidade, devido a uma série de motivos. Primeiro, o número de transações que cada bloco pode validar é limitado. Segundo, os blocos devem ser minerados a uma taxa constante. 

Por exemplo, o Bitcoin foi projetado para ter blocos minerados a cada 10 minutos em média, de acordo com a dificuldade de mineração, que é ajustada automaticamente pelo protocolo. Embora o design do Bitcoin seja altamente seguro, em períodos de maior demanda, o tempo de bloco combinado com o limite de transações por bloco pode provocar um congestionamento na rede. Isso normalmente provoca um aumento considerável nas taxas de transação e tempos de confirmação.

Para superar as limitações do PoW (Proof of Work), a equipe da Ethereum propôs um conjunto de atualizações, conhecido como Ethereum 2.0 (ETH 2.0).

Atualizações da Ethereum: Perspectiva Geral

As atualizações da Ethereum 2.0 incluem a Beacon Chain (já implementada), The Merge (em breve) e também as atualizações The Surge, The Verge, The Purge e The Splurge. Após a conclusão de todas as atualizações, espera-se que a nova blockchain da Ethereum tenha mais escalabilidade e seja mais segura e sustentável – embora ainda descentralizada.

A Beacon Chain

Anteriormente conhecida como Phase 0 (Fase 0), a Beacon Chain foi a primeira das grandes atualizações da Ethereum. Ela foi lançada em 1º de dezembro de 2020 e introduziu o mecanismo Proof of Stake (PoS) ao ecossistema da Ethereum. Os usuários podem interagir com a Beacon Chain de duas maneiras: fazendo staking de ETH ou executando um cliente de consenso para garantir a segurança da rede. Atualmente, ela é executada paralelamente à mainnet (rede principal) da Ethereum.

The Merge

The Merge é a próxima medida da Ethereum para lidar com os problemas de escalabilidade. Resumidamente, essa atualização integra as duas blockchains independentes já existentes no ecossistema da Ethereum: a camada de execução (execution layer) e a camada de consenso (consensus layer - Beacon Chain). 

A expectativa é que, em setembro de 2022, ocorra uma fusão da mainnet da Ethereum com o sistema Proof of Stake coordenado pela Beacon Chain. Após a Merge, o ecossistema usará apenas o Proof of Stake para garantir o funcionamento e segurança de sua rede.

Mecanismo de consenso

Com a implementação da atualização The Merge, o Proof of Work da Ethereum será substituído pelo mecanismo de consenso Proof of Stake. Em vez de depender do processo de mineração, os blocos serão criados (ou forjados) por nodes chamados de validadores. Periodicamente, um node é designado de forma aleatória para validar um bloco candidato. Para realizar esse serviço, os validadores recebem incentivos na forma de taxas de transação e recompensas de staking. Como não há competição entre nodes para a adição de um novo bloco, o PoS consome significativamente menos recursos do que o PoW, tornando-o mais sustentável.

Transações da mainnet

Atualmente, a Beacon Chain processa apenas uma parte das transações da rede. Com a Merge, a Beacon Chain será o principal local de obtenção de consenso.

“Após a Merge, a Beacon Chain será o mecanismo de consenso para todos os dados da rede, incluindo saldos de contas e transações da camada de execução.” – Ethereum.org

Tokens

O histórico de transações da Ethereum será fundido com o a Beacon Chain, mas não haverá alterações em relação à sua moeda, Ether (ETH). Os fundos ETH permanecerão acessíveis após a Merge e os usuários do token ETH não precisam se preocupar com nenhuma medida ou preparação necessária antes da atualização.

O modelo atual possui um sistema de emissão de tokens que distribui cerca de 13.000 ETH por dia através da mineração e das recompensas de staking. Após a implementação da Merge, não haverá mais recompensas de mineração, reduzindo a emissão de novos tokens ETH para aproximadamente 1.600 ETH por dia, provenientes das recompensas de staking. 

O que vem depois da atualização The Merge?

Embora ainda não exista um anúncio oficial sobre as outras atualizações da Ethereum (The Surge, The Verge, The Purge e The Splurge), o Sharding (do inglês, fragmentação) está definitivamente em andamento. Sua implementação está programada para 2023.

Sharding

A Ethereum aumentará a escalabilidade com a ajuda do sharding para aumentar o desempenho, provavelmente reduzindo os custos e os tempos de transação. O Sharding introduz as shard chains, que são semelhantes a blockchains comuns – a diferença é que cada uma contém apenas uma parte dos dados da blockchain. Graças ao subconjunto específico de dados fornecidos por shard chains, os nodes podem verificar transações de forma mais eficiente.

O Sharding é uma solução de escalabilidade que requer muito tempo e esforço para ser implementada. No entanto, se for bem implementada, essa solução pode ser um dos maiores avanços da tecnologia blockchain em termos de escalabilidade, proporcionando à Ethereum recursos aprimorados para armazenar e acessar dados. 

O processo de sharding terá várias etapas. As versões 1 das shard chains fornecerão mais dados à rede e as versões 2 terão funções de armazenamento e execução de códigos. A comunicação cruzada entre as duas versões será habilitada. 

Quanto às outras atualizações, nada está definido ainda. Em uma publicação no Tweeter, Vitalik Buterin deixou claro que as atualizações acima não devem ser consideradas "estágios", pois, são atualizações paralelas à Merge. Recomendamos que os leitores se inscrevam no Binance Blog e na Binance Academy para mais informações sobre as atualizações, à medida que acompanhamos as notícias sobre a Merge e as atualizações subsequentes da Ethereum.

Por que existem tantas soluções de escalabilidade?

Aparentemente, a Ethereum está se preparando para o futuro e para assumir uma enorme carga de transações, o que deve incentivar a adoção em massa. Quanto mais soluções disponíveis, mais chances de reduzir o congestionamento da rede de modo geral. Além do mais, isto também pode evitar pontos únicos de falha se uma solução de escalabilidade se revelar insuficiente. Ter várias soluções de escalabilidade não apenas prepara a rede para aumentar a velocidade e a taxa de transferência das transações, mas também ajuda os usuários, reduzindo os custos desses serviços.

Impacto da Merge sobre o ETH

Como um dos mais importantes projetos de blockchain da segunda geração, a Ethereum foi lançada com um fornecimento inicial de 72 milhões de Ether (ETH). Sob seu modelo PoW original, uma grande porcentagem desse fornecimento de tokens é usada para incentivar os mineradores a garantir a segurança da rede.

Após a mudança para o PoS, as recompensas de mineração não serão mais distribuídas. Sendo assim, haverá uma redução líquida na emissão anual de ETH de aproximadamente 90%. Se a lei da oferta e demanda prevalecer, é possível que o preço do ETH aumente. No entanto, os mercados financeiros são imprevisíveis e voláteis e há muitos outros fatores em jogo.

Impacto da Merge sobre o BETH

BETH é uma versão tokenizada do ETH em staking na Binance. Com a Merge, os mineradores não poderão mais ganhar recompensas do Proof of Work. Em vez disso, os validadores receberão recompensas de staking, bem como taxas de transação que foram oferecidas aos mineradores antes da Merge. Adicionalmente, após a Merge, os validadores receberão parte das recompensas do valor máximo extraível de cada bloco (Maximum Extractable Value - MEV). O rendimento anual (APR) deve ter um aumento quando o token BETH adotar esse modelo. Portanto, espera-se que a taxa percentual anual (APR) aumente significativamente. 

Impacto da Merge sobre usuários e produtos da Binance

Para os holders de ETH e usuários da Binance, os produtos da Binance não sofrerão grandes alterações. As únicas implicações serão a remoção do ETH dos nossos serviços de mineração e uma interrupção momentânea dos empréstimos, depósitos e saques de ETH.

Se você é um holder de ETH, recomendamos a leitura da publicação do blog, O que vai acontecer com o meu Ethereum após a The Merge, para se preparar para a atualização.

Considerações finais

A Merge é a segunda de uma série de atualizações importantes da rede Ethereum. Ela foi proposta como uma preparação para implementações e soluções que fornecerão mais escalabilidade. Após a conclusão de todas as atualizações listadas, a Ethereum provavelmente estará preparada para lidar com um volume maior de transações, sem comprometer a segurança ou a descentralização.


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