História da Criptografia
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Publicado em Jan 14, 2019Atualizado em Jun 9, 2023
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A criptografia, ci√™ncia de escrever c√≥digos e cifras para comunica√ß√£o segura, √© um dos elementos mais importantes para a cria√ß√£o das criptomoedas e das blockchains modernas. As t√©cnicas criptogr√°ficas usadas hoje, no entanto, s√£o resultado de uma longa hist√≥ria de desenvolvimento. Desde os tempos antigos, as pessoas usam criptografia para transmitir informa√ß√Ķes de maneira segura. A seguir, est√° a fascinante hist√≥ria da criptografia, que resultou nos m√©todos avan√ßados e sofisticados usados na criptografia digital moderna.

As Antigas Raízes da Criptografia

Sabemos que t√©cnicas primitivas de criptografia existiram nos tempos antigos, e a maioria das civiliza√ß√Ķes antigas parece ter usado algum n√≠vel de criptografia. A substitui√ß√£o de s√≠mbolos - a forma mais b√°sica de criptografia- aparece tanto nos antigos escritos eg√≠pcios, quanto nos mesopot√Ęmicos. O mais antigo exemplo conhecido desse tipo de criptografia foi encontrado no t√ļmulo de um nobre eg√≠pcio chamado Khnumhotep II, que viveu h√° aproximadamente 3.900 anos.

O objetivo da substitui√ß√£o dos s√≠mbolos na inscri√ß√£o de Knhumhotep, n√£o era ocultar informa√ß√Ķes, mas sim aperfei√ßoar seu apelo lingu√≠stico. O exemplo mais antigo conhecido de criptografia sendo usada para proteger informa√ß√Ķes sens√≠veis ocorreu por volta de 3.500 anos atr√°s, quando um escriba da Mesopot√Ęmia empregou a criptografia para esconder uma f√≥rmula de esmalte de cer√Ęmica, usado em tabuletas de argila.

Ap√≥s a antiguidade, a criptografia foi amplamente usada para proteger informa√ß√Ķes militares importantes, prop√≥sito que serve at√© hoje. Na cidade-estado grega de Esparta, as mensagens eram encriptadas, sendo escritas em pergaminhos colocados sobre um cilindro de tamanho espec√≠fico. A mensagem s√≥ era decifrada quando colocada dentro de um cilindro de tamanho semelhante pelo destinat√°rio. De forma parecida, sabe-se que espi√Ķes da antiga √ćndia usaram mensagens codificadas j√° no s√©culo II aC.

Talvez, a criptografia mais avan√ßada do mundo antigo tenha sido desenvolvida pelos romanos. Um exemplo proeminente da criptografia romana, a cifra de C√©sar, envolvia a substitui√ß√£o das letras de uma mensagem por outras letras que se encontravam algumas posi√ß√Ķes abaixo ¬†na sequ√™ncia do alfabeto latino. Conhecendo esse sistema e o n√ļmero de posi√ß√Ķes a serem deslocadas, o destinat√°rio poderia decodificar a mensagem ileg√≠vel.


Desenvolvimentos na Idade Média e no Renascimento

Ao longo da Idade M√©dia, a criptografia tornou-se cada vez mais importante, mas as cifras de substitui√ß√£o, das quais a cifra de C√©sar √© um exemplo, permaneceram como padr√£o. A criptoan√°lise, ci√™ncia respons√°vel por quebrar c√≥digos e cifras, come√ßou a alcan√ßar a ainda relativamente recente ci√™ncia da criptografia. Al-Kindi, um famoso matem√°tico √°rabe, desenvolveu por volta de 800 dC, uma t√©cnica conhecida como an√°lise de frequ√™ncia, que tornou as cifras de substitui√ß√£o vulner√°veis √† decodifica√ß√£o. Pela primeira vez, as pessoas que tentavam decifrar mensagens criptografadas tiveram acesso a um m√©todo sistem√°tico para faz√™-lo, tornando necess√°rio que a criptografia avan√ßasse ainda mais para continuar sendo √ļtil.

Em 1465, Leone Alberti desenvolveu a cifra polialfab√©tica, que √© considerada a solu√ß√£o contra a t√©cnica de an√°lise de freq√ľ√™ncia de Al-Kindi. Em uma cifra polialfab√©tica, uma mensagem √© codificada usando dois alfabetos distintos. Um √© o alfabeto no qual a mensagem original √© escrita, enquanto o segundo, √© um alfabeto totalmente diferente, no qual a mensagem aparece depois de ser codificada. Combinado com as cifras de substitui√ß√£o tradicionais, as cifras polialfab√©ticas aumentaram muito a seguran√ßa de informa√ß√Ķes codificadas. A menos que um leitor soubesse o alfabeto no qual a mensagem foi originalmente escrita, a t√©cnica de an√°lise de frequ√™ncia n√£o teria qualquer utilidade.¬†

Novos métodos de codificação da informação também foram desenvolvidos no período da Renascença, incluindo um popular método antigo de codificação binária, desenvolvido em 1623, pelo famoso filósofo e cientista Sir Francis Bacon. 


Avanços nos Séculos mais Recentes

A ciência da criptografia continuou a avançar progressivamente ao longo dos séculos. Um grande avanço na criptografia foi descrito, embora talvez nunca construído, por Thomas Jefferson na década de 1790. Sua invenção, conhecida como cipher wheel (roda cifrada), consistia de 36 anéis de letras em rodas móveis que podiam ser usados para obter uma codificação complexa. Esse conceito era tão avançado que serviu como base para a criptografia militar americana até a Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra Mundial também viu o exemplo perfeito da criptografia analógica, conhecido como a máquina Enigma. De maneira similar a cipher wheel, esse dispositivo, empregado pelas Potências do Eixo, usava anéis rotativos para codificar uma mensagem, tornando praticamente impossível ler a mensagem sem outra máquina Enigma. A tecnologia da computação foi eventualmente usada para ajudar a quebrar a cifra Enigma, e a decodificação bem sucedida de mensagens Enigma ainda é considerada um elemento crítico da eventual vitória dos Aliados.


Criptografia na Era da Computação

Com a ascens√£o dos computadores, a criptografia tornou-se muito mais avan√ßada do que na era anal√≥gica. A criptografia matem√°tica de 128 bits, muito mais forte que qualquer cifra antiga ou medieval, agora √© o padr√£o para muitos dispositivos sens√≠veis e sistemas de computa√ß√£o. Come√ßando em 1990, uma forma inteiramente nova de criptografia, apelidada de criptografia qu√Ęntica, estava em desenvolvimento por cientistas da computa√ß√£o, que buscavam, mais uma vez, elevar o n√≠vel de prote√ß√£o oferecido pela criptografia moderna.

Mais recentemente, t√©cnicas criptogr√°ficas tamb√©m foram usadas para tornar as criptomoedas poss√≠veis. As criptomoedas aproveitam v√°rias t√©cnicas criptogr√°ficas avan√ßadas, incluindo fun√ß√Ķes hash, criptografia de chave p√ļblica e assinaturas digitais. Essas t√©cnicas s√£o usadas principalmente para garantir a seguran√ßa dos dados armazenados em blockchains e para autenticar transa√ß√Ķes. Uma forma especializada de criptografia, conhecida como Algoritmo de Assinatura Digital de Curva El√≠ptica (ECDSA), sustenta o Bitcoin e os sistemas de outras criptomoedas como um meio de fornecer seguran√ßa extra e garantir que os fundos s√≥ possam ser usados por seus leg√≠timos propriet√°rios.

A criptografia percorreu um longo caminho nos √ļltimos 4.000 anos e provavelmente n√£o ir√° parar t√£o cedo. Enquanto dados sens√≠veis exigirem prote√ß√£o, a criptografia continuar√° avan√ßando. Embora os sistemas criptogr√°ficos usados nas blockchains das criptomoedas representem hoje algumas das formas mais avan√ßadas dessa ci√™ncia, eles tamb√©m fazem parte de uma tradi√ß√£o que se extendeu por grande parte da hist√≥ria humana.