Três bridges cripto populares e como funcionam
Tabela de Conteúdos
Introdução
O que é uma bridge cripto?
Tipos de bridges
Solana Wormhole Bridge
Avalanche Bridge
Polygon Bridge
Considerações finais
Leituras adicionais:
Três bridges cripto populares e como funcionam
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Três bridges cripto populares e como funcionam

Três bridges cripto populares e como funcionam

Intermediário
Publicado em Nov 30, 2022Atualizado em Feb 1, 2023
7m

TL;DR

As bridges (ou pontes) cripto são essenciais para facilitar a interoperabilidade entre várias blockchains. Elas conectam ecossistemas cripto previamente isolados, permitindo que usuários compartilhem dados e transfiram ativos em blockchains distintas que possuem suas próprias tecnologias e regras econômicas. 

As bridges cripto podem ser classificadas como trusted (com confiança), trustless (sem confiança), unidirecionais e bidirecionais. Solana Wormhole Bridge, Avalanche Bridge e Polygon Bridge são algumas bridges cripto populares usadas para mover ativos. Cada uma apresenta suas vantagens exclusivas.

Introdução

Geralmente, blockchains não são inerentemente interoperáveis, ou seja, dados e ativos em uma blockchain não podem ser transferidos para outra blockchain. Muitos projetos abordam esse problema construindo as chamadas bridges cripto, facilitando as transferências de dados e ativos entre elas. No entanto, cada bridge cripto conecta apenas blockchains específicas e, portanto, não é uma solução efetiva para todas.

Se uma equipe criar uma bridge entre ETH e BTC, por exemplo, essa bridge não poderá ser usada para mover ativos entre XRP e ETH. Além disso, somente usuários que possuem carteiras de criptomoedas compatíveis poderão usar a respectiva bridge.

O que é uma bridge cripto?

Uma bridge cripto é um protocolo que permite a interoperabilidade e o compartilhamento de dados entre duas ou mais blockchains. Ela conecta blockchains para que usuários de uma rede possam participar das atividades de outra. Isso permite que os usuários de criptomoedas usem seus holdings fora das blockchains nativas.

Blockchains possuem diferentes tokens, mecanismos de consenso, comunidades e modelos de governança. Uma bridge cripto facilita a interoperabilidade, permitindo transferências de dados e criptoativos entre diferentes blockchains.

Elas também permitem que blockchains desenvolvam os pontos fortes umas das outras. Por exemplo, o Bitcoin não precisa reconstruir sua blockchain para incorporar contratos inteligentes, pois outras redes oferecem essa funcionalidade.

Além disso, as bridges cripto permitem a comunicação e colaboração entre os desenvolvedores, independentemente da rede em que estejam trabalhando. Dessa forma, os protocolos podem se conectar mais facilmente e se basear nos recursos e casos de uso uns dos outros.

Normalmente, as bridges transportam tokens de uma rede para outra através do wrapping, um processo pelo qual a bridge bloqueia o token original em um contrato inteligente e cria uma quantidade equivalente de wrapped tokens, como WETH para o ETH ou WBNB para o BNB.

Também existem outras tecnologias com foco na interoperabilidade no ecossistema cripto. Os protocolos de Layer 0 são um exemplo. Eles permitem a construção de outras blockchains, oferecendo às blockchains uma camada (Layer) subjacente comum. Portanto, uma blockchain não requer bridges, já que cada blockchain construída no topo da Layer 0 se conecta, por padrão, a outras blockchains.

Tipos de bridges

Trusted bridges

Trusted bridges dependem de um sistema ou entidade central. Elas incluem verificadores externos para facilitar a transferência segura de dados e valores. Com isso, no entanto, elas exigem que os usuários renunciem ao controle de seus criptoativos, o que vai contra o ethos cripto que promove a autocustódia.

Trustless bridges

Ao contrário das trusted bridges, trustless bridges não dependem de entidades terceiras. Em vez disso, elas operam de maneira descentralizada, utilizando contratos inteligentes que gerenciam o processo de interoperabilidade. Dessa forma, os usuários mantêm a propriedade de suas criptomoedas. Enquanto os usuários de trusted bridges devem confiar na reputação dos operadores de bridges, os usuários de trustless bridges usam o código subjacente. 

Bridges unidirecionais

Bridges unidirecionais (one-way bridges) permitem que os usuários movam suas criptomoedas para outra rede, não tendo a possibilidade de enviá-las de volta pela mesma rota. Ou seja, elas devem ser usadas apenas para transações unidirecionais.

Bridges bidirecionais

As bridges bidirecionais, por outro lado, permitem a transferência de ativos nos dois sentidos. Elas fornecem uma maneira mais prática de transferir dados e criptomoedas entre duas redes. Portanto, pode ser uma ferramenta mais conveniente para usuários que usam duas redes com frequência para enviar e receber criptomoedas.

Solana Wormhole Bridge

A Solana Wormhole Bridge, uma bridge bidirecional, visa facilitar a movimentação de ativos tokenizados entre blockchains de forma rápida e barata, aproveitando as vantagens estruturais de alta velocidade e baixo custo da Solana.

O objetivo da Solana para a Wormhole é solucionar problemas comuns das finanças descentralizadas (DeFi), como altas taxas de Gas, slippage de preços e congestionamento da rede. Ela foi lançada em 2020, oferecendo uma maneira descentralizada de conectar os padrões ERC-20 e SPL da Ethereum e da Solana. Atualmente, a Solana Wormhole permite a transferência de criptomoedas entre 17 blockchains.

A Wormhole foi desenvolvida em conjunto com a Certus One, uma empresa que executa nodes para blockchains e fornece serviços de segurança de infraestrutura para blockchains Proof of Stake (PoS). Como os desenvolvedores podem empregar a Wormhole para acessar a rede Solana, não há necessidade de um projeto cripto reescrever suas próprias bases de código para a Solana. 

A bridge é baseada em oráculos cross-chain descentralizados. Os chamados "guardians" (do inglês, guardiões) trazem tokens de uma blockchain para outra, bloqueando ou queimando tokens em uma blockchain e emitindo ou liberando-os em outra.

Os “guardians” são executados por operadores de nodes, como validadores da Solana e stakeholders do ecossistema. Sua estrutura de incentivos alinhada com a Solana ajuda a manter a bridge confiável.

Avalanche Bridge

A Avalanche Bridge (AB), outra bridge bidirecional, foi criada especialmente para usuários de varejo e lançada em julho de 2021 pela Ava Labs. A bridge é uma substituição do projeto anterior, Avalanche-Ethereum Bridge (AEB), e tem taxas cerca de cinco vezes menores do que as do projeto antecessor.

Além disso, a AB se esforça para melhorar ainda mais a experiência de ponte de ativos para os usuários, concentrando-se na segurança, finalização mais rápida e taxas mais baixas. A AB também conecta a Ethereum e a Avalanche permitindo que os usuários transfiram tokens Ethereum ERC-20 para a rede principal (mainnet) da Avalanche. 

O projeto da AB consiste em uma base de código privada ("Inter SGX") e retransmissores (chamados de "wardens"). O aplicativo Intel SGX é um enclave privado que cria um ambiente de computação mais seguro, facilitando as operações em um espaço fechado e garantindo que a bridge seja inviolável.

O principal trabalho do warden é monitorar as blockchains Avalanche e Ethereum. Sempre que um warden identifica um token ERC-20 chegando ao Ethereum da Avalanche Bridge, eles registram a transação no enclave do Intel SGX.

No entanto, quando os tokens são enviados da Avalanche para a Ethereum, o enclave garante que as moedas ERC-20 (versões wrapped) sejam queimadas, sinalizando a transferência do valor equivalente para a Ethereum. Finalmente, quando a transação é confirmada, realiza-se o bloqueio e a emissão do token correspondente (ou a queima e liberação).

Polygon Bridge

A bridge trustless Polygon Bridge foi proposta pela primeira vez no início de 2020 pela equipe da Polygon para aumentar a interoperabilidade entre as redes Polygon e Ethereum. A bridge foi lançada no mesmo ano.

Atualmente, ela permite que usuários transfiram tokens e NFTs (tokens não fungíveis) entre a Ethereum e a Polygon. Agora, os usuários podem aproveitar a popularidade da Ethereum enquanto usufruem das taxas mais baixas e transações mais rápidas da Polygon.

A Polygon tem duas bridges que permitem a transferência de ativos: a bridge Proof-of-Stake (PoS) e a Plasma Bridge. A primeira protege a rede adotando o algoritmo de consenso PoS. Embora os depósitos sejam concluídos quase instantaneamente na bridge PoS, os saques podem demorar mais. Essa bridge oferece suporte para transferências de Ether e outros tokens ERC comuns.

A Plasma Bridge usa a solução de escalabilidade Ethereum Plasma para oferecer maior segurança. Os usuários usam a bridge para transferir o token nativo da Polygon, MATIC, e alguns tokens da Ethereum (ETH, ERC-20 e ERC-721). 

O bridging de tokens usando a Polygon segue a lógica típica de bridging. Os tokens retirados da rede Ethereum são bloqueados e o mesmo número de tokens é automaticamente emitido na Polygon, em uma proporção de 1:1. Da mesma forma, ao mover tokens para a Ethereum, os tokens atrelados à Polygon são queimados e os tokens da Ethereum são desbloqueados.

Considerações finais

Embora as bridges cripto tornem o ecossistema mais interoperável, você deve sempre fazer suas pesquisas para escolher a bridge mais adequada.

Lembre-se, o processo de bridging não altera o fornecimento em circulação da criptomoeda a ser transferida. As bridges simplesmente bloqueiam tokens na rede de envio e criam novos tokens no lado receptor, criando wrapped tokens.

Caso os wrapped tokens sejam enviados de volta para a blockchain nativa, eles serão queimados antes da liberação dos tokens originais.

Leituras adicionais: